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quinta-feira, 5 de março de 2015

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Tempo






O cabelo ficando branco em bando
                                            
No reflexo posso ver

O meu corpo me abandonando








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quinta-feira, 28 de março de 2013

Formigas e Homens






Sento-me para escrever na mesa da cozinha
e tudo o que vejo são formigas
Indo de um lado              para                        o outro
caminham pela mesa e pelo
                                              chão

Procurando a próxima migalha
A próxima refeição

TUDO É CLARO, TUDO É CERTO... É ÓBVIO

A sobrevivência da colônia delas depende
Mato algumas sem dor aparente
Esmago-as com a ponta dos dedos
É fácil, matar é fácil
É banal

Mas não importa quantas vezes eu repita o gesto
não importa quantas eu mate
ocupando os mesmos lugares
outras virão

Procurando a próxima migalha,
A próxima refeição

Levam a falecida carregada
Será a refeição da casa
Outras vem e refazem o trajeto

TUDO É CLARO, TUDO É CERTO... É ÓBVIO

Enquanto isso eu não sou   
Apenas estou

Pode até ser
E talvez até seja
                          mas
             Já não sou mais
                         
Estou assim
E já estive outro
               mas
Serei diferente

tudo é complexo, tudo é multifacetado... é dúvida.

E ainda será
e eu serei
e se for então já é,
mas e se não for?

Se não for...
...                                                                   
...             
...aí não será

Por outro lado, estou
e se estou, PODE SER!

Sim, pode até ser,
mas só se estiver,
porque aí sim eu serei...
                                      ...ou estarei

Enquanto isso eu caminho
de um lado               para                                o outro

Buscando a próxima migalha,
A próxima refeição.

Tentando entender um pouco daquilo que sou
daquilo que poderei ser
e de quem fui

Tudo é complexo, tudo é multifacetado... É DÚVIDA.






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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Pro Inferno


 “O Jardim das Delícias”- Hieronymus Bosch


Pro inferno com meus sonhos, meus desejos e quereres
Pro inferno com meus direitos, razões e deveres
Pro inferno com meu cabelo, meu corpo, minha barba
Pro inferno com minha consciência, inconsciência e minha alma
Pro inferno com aquilo que fui, o que sou e o que serei
Pro inferno com o que aprendi, esqueci e o que sei
Pro inferno com dinheiro, contas e dividendos
Pro inferno com emprego, trabalho e contentamento
Pro inferno com o que é bom, mau ou em cima do muro
Pro inferno com a sociedade, comigo e com o mundo

Estou cansado de procurar respostas
Estou cansado de pensar propostas

Propostas do que e como fazer
De questionar, pensar sem nunca entender

Não há resposta
Não há caminho

Só quero me deitar

Quieto
Mudo
Surdo
Cego
Insensível

Morto cada vez um pouco mais

Quieto
Mudo
Surdo
Cego
Insensível

Até o dia em que não me levante mais





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Formigas e homens






Mitologia de mim mesmo


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Homo Urbanus





O homem de alma vazia
Vagueia por entre o vazio do nada
E a complexidade do todo

Anda sem destino por uma vida sem sentido
O mundo é o que ele vê

Não há significado além do próprio acontecido
Não tem profissão, tem emprego
Não tem sonhos, tem contas
Não viaja, assiste à TV

Sua alegria é a vitória de outros
Sua tristeza nunca o deixa

Vive o mesmo dia todo dia
Fazendo sempre tudo igual

Não gosta do presente e dele se queixa
Mas teme a mudança e dela se esconde

É desgostoso, é amargo, é indeciso,
É fraco, é confuso e é incompreendido

Sobrevive pelo medo que tem da morte
E se vangloria de ser ciente desta

Nasce humano, torna-se máquina e morre entulho

Espécie que está em toda parte nas grandes cidades
Homens que estão á nossa frente e ao nosso lado
Somos nós no dia a dia
Após dia
No mesmo dia





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domingo, 28 de outubro de 2012

Ser Feliz






Algo como algodão doce
Que na boca se desfaz
Um lugar quente
Como um pôr do sol na praia
Aconchegante
Igual a colo de mãe
E nada mais

A eterna vontade de crescer
De finalmente desabrochar
Ser melhor do que se pode ser

Voar alto como a águia
Correr tanto quanto a lebre
E como criança sonhar

Tudo isso e muito mais

Dormir e acordar sonhando
Ser amado amando
Não ter medo de estranhar
Fazer o bem sem nada esperar
Fazer tudo brilhar

Ser feliz e nada mais




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Feliz