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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Deixe Estar


Deixe estar. Deixa ficar que mudar não é pra já. Vai aos poucos que todos os caminhos levam para o mesmo fim. Pra que correr assim?

E quem disse que você precisa ler tudo o que já foi escrito? E quem foi que disse que você precisa assistir a tudo o que é lançado? E quem foi que mandou você ser tão perfeito? Tão imaculado, tão pronto e arrumado?

A vida passa rápido e não consigo acompanhá-la. Novidades surgem a todo momento. Tento acompanhá-las, tento compreende-las, tento conectá-las a outras que li a pouco, mas como fazê-lo? Preciso trabalhar mais. Preciso estudar mais. Preciso ler, treinar, me aperfeiçoar, preciso ser bom, o melhor, estar acima, preciso de tudo isso e muito mais. Mas não, eu não preciso. Eu tenho! Eu tenho se não o que é que irão pensar? Como irão se lembrar de mim? Do que é que irão me cobrar?

Dormir já não quero, não consigo, não sei. Tudo é muito rápido, uma imagem aparece enquanto outra ainda não sumiu. As palavras me atrapalham, lentas demais, me fazem tropeçar, me confundem e se embaralham, assuntos, lembranças e mais assuntos pipocam enquanto ainda falo sobre algo que... que... que falava há tanto tempo atrás que... que... que já não sei mais do que é que eu falava.

Tão pouco tempo e eu perdendo aqui o meu. Enquanto você fala e palavras entram por meus ouvidos que me levam a outras lembranças, a conta pra pagar, o relatório que ainda não acabei, a prova pra estudar, a nota dela no ENEM, o carro que já não quer pegar, a música que não sei tocar, a comida do gato que esqueci de por e o vaso que permanece sem flor. Tudo isso e eu aqui. Tão pouco tempo e ainda tenho que comer.

De tão cheio que está não deixa mais nada entrar. Fica em seu próprio mundo, girando, girando sem parar.  Não ouve o que digo e nem irá conseguir. Precisa aprender a usar os ouvidos, precisa ouvir o que vem de fora também e não somente a si a se cobrar. E não somente a si a se queixar.

Abra os olhos e veja o que está a sua volta, veja quem ainda está aí. Vá devagar, o importante é não deixar de caminhar, vá e não deixe de sonhar.

Tantas frases, tantas palavras, mas são lentas demais, tudo é muito devagar e eu tenho pressa, quero sair, quero fazer, se não quem é que eu serei? O que é que eu vou conseguir? E... hã? Quem é que eu sou? Agora? Como assim?




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Tempestade










Grito

terça-feira, 25 de maio de 2010

Desapego




Nestes dias estou tendo algumas aulas práticas de despego proporcionadas pela venda da casa onde vivi a maior parte da minha vida até o momento.

E eu sei que não foi fácil para meus pais tomarem a decisão de vendê-la e que continua não sendo despedir-se do lar onde viveram 26 anos, e também para mim e meu irmão apesar de não morarmos mais lá.

A doutrina budista fala sobre o desapego e sobre como todas as coisas são transitórias, inclusive a vida. Seguindo esse raciocínio não devemos nos apegar a coisas materiais, pois estas vão deixar de existir mais cedo ou mais tarde. Mesmo pessoas podem desaparecer de nossas vidas de uma hora para outra.

Mais difícil é por em prática o desapego, quando falamos de modos de ser ou de enxergar o mundo. Modos estes que vão sendo construídos aos longo da vida, e que por um motivo ou por outro nos vemos obrigados a pelo menos questioná-los, para que possamos lidar com novas situações que a vida nos impõe.
O que fazer então?

Ser mais flexível e tolerante consigo mesmo e com os outros. Viver o momento com a devida importância, já que ele é único. Amar as pessoas como se não houvesse amanhã, como diz Renato Russo, mas sem também se tornar dependente destas pessoas, responsabilizando-as pela nossa felicidade e bem estar. E no meu caso especificamente, saber que um lar não é feito de tijolos, azulejos, portas e grades, mas das pessoas que nele habitam, do amor depositado por estas pessoas e dos momentos vividos com parentes, amigos e amores.

Quero aproveitar e agradecer a todas as pessoas com quem convivi, festejei, amei, briguei e chorei, pelos bons momentos que vivemos nesta casa e principalmente a meus pais por terem escolhido este lugar onde pudemos viver tão bem e tão felizes e pelo exemplo de desapego e de coragem para recomeçar quando muitos estariam se preparando para se acomodar e aguardar. Obrigado.

E à família que agora irá ocupá-la, desejo toda a felicidade do mundo.

Enquanto isso já estou na minha quinta casa, e espero até o ano que vem construir uma para mim e minha família, e quem sabe bater meu recorde pessoal de dezessete anos num mesmo lugar. Quem sabe....



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