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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Obrigado e adeus Mandela





Nelson Mandela nos deixou.  

E deixou também sua história de vida com a qual podemos aprender muito.

Mandela foi um grande estadista, um homem que desafiou aqueles que detinham o poder e que muitas vezes deixou sua vida particular em segundo plano para lutar pelos ideais de igualdade entre os povos, independentemente de sua raça e origem.

Como psicólogo o que me chama a atenção na história de vida deste homem é a sua capacidade de resignificar sua própria história.

Este foi um homem que passou 27 anos de sua vida encarcerado, viveu dentro de um regime segregacionista (o aparthaid) e que antes de ser preso passou por uma temporada no exterior aprendendo técnicas de luta armada para resistir a este regime.

Este mesmo homem, uma vez liberto tornou-se presidente de seu país, acabou com o aparthaid e teria motivos de sobra para querer vingar-se de seus carrascos.

Mandela recusou-se a usar seu passado como desculpa para incitar a vingança e criar, quem sabe, um aparthaid às avessas, retirando da minoria branca a seus direitos, exatamente como esta havia feito com os negros durante as últimas quatro décadas.

Mandela olhou para o futuro e a nação que ele gostaria de construir. Uma nação onde essas desigualdades não existissem, mais uma vez se colocando contra muitos, mas fiel a seus princípios.

E quantas vezes não utilizamos fatos que ocorreram em nosso passado para justificar o mal que fazemos ao outro? E quantas vezes não utilizamos o nosso passado para nos colocarmos na posição de vítimas?

De que maneira estamos utilizando a nossa própria história?

Obrigado e adeus Mandela.
                                                                                              






Abaixo um trecho do filme Invictus em que Mandela arrisca seu poder político com os próprios companheiros ao defender que as cores do time de rúgbi do país sejam mantidas. O rúgbi e as cores do time são algo valorizados pela minoria branca.
Ele está em inglês, mas este é um excelente filme para quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre esse homem excepcional e sobre este momento histórico.









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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tragédias e Pores do Sol





Tragédias como as de Santa Maria, como a noite que insiste em surgir toda vez que o Sol se põe, trazem à tona a velha questão humana de encarar a própria morte.

É inevitável ao ver tantos jovens mortos, não pensar na própria finitude. Independente da religião que se siga, ou da crença que se tenha sobre o que ocorre após a cessação das funções de seu corpo.

A morte nos assombra e pensar sobre ela é, como diz o psiquiatra e autor Irvin D. Yalon, olhar diretamente para o Sol, só conseguimos fazê-lo por um instante antes de desviarmos os olhos para outra direção.

Porém a morte é ainda mais assustadora para aqueles que não vivem de modo satisfatório a própria vida.

E isso nos leva à algumas questões.

O que estamos fazendo com nossas vidas? Onde você tem investido mais tempo? Tem feito coisas que gosta ou somente as que tem que fazer? Tem visto os amigos? Brincado com seus filhos? Que legado, ou exemplo, você está deixando para trás?

Para todos nós que nos últimos dias temos sofrido junto a essas famílias que perderam seus filhos, irmãos e amigos, talvez seja também um momento de olharmos para nós mesmos e pensarmos o que estamos fazendo com nossa vida, que é tão única, quanto frágil e que pode findar quando menos esperamos. 

E citando Yalon termino dizendo “a morte pode nos destruir, mas a consciência dela pode nos salvar”.(De Frente Para o Sol, Irvin D. Yalon)




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sábado, 6 de outubro de 2012

Tortura, eleições e democracia





 
“A tortura tem por objetivos obter informações e degradar o prisioneiro. Encerra métodos eficazes: humilha a vítima, antagoniza o corpo ao espírito, opõe-se lhe em campos opostos a sua dor e o seu ideal. Obriga-a a ser testemunha de seu opróbrio*. Reduz o humano à abjeta condição de verme. Mergulha-o num oceano de terror cujas margens ignora. Não há boia de salvação nem se consegue nadar. O naufrágio é inevitável. A diferença é que, em vez de água, há sangue, fezes, urina. Virado ao avesso, o organismo exibe as vísceras.” Diário de Fernando - Nos Cárceres da Ditadura Militar Brasileira – Frei Beto – Ed Rocco – pág. 17

Quando li este trecho do livro não pude deixar de pensar na política brasileira atual. O que temos feito com nosso voto? Quem são as pessoas que estão nos representando? Será que nos damos conta de quantas pessoas sofreram humilhações iguais a esta e outras que morreram para que a ditadura imposta pelos militares brasileiros fosse derrubada e pudéssemos hoje eleger diretamente nossos representantes?

Não quero fazer aqui julgamentos de valor ou dizer o que cada um deve fazer com seu voto, venho pensando inclusive que o voto é talvez a parte menos importante nesse processo todo. Talvez o mais importante seja acompanhar o que essas pessoas que elegemos tem feito, o que precisamos que seja feito em nossa cidade, bairro, rua, escola, hospital e por aí vai. Precisamos aprender a participar da vida pública de maneira mais efetiva e constante.

Esse final de semana temos eleições, vejamos o que acontece e acompanhemos os que forem postos para ocupar os tais cargos. Sejamos nós vigias e cuidadores do que é nosso.

Porque, no final das contas, eu odiaria encontrar um desses caras, que como Frei Fernando sofreram tal atrocidade e dizer para ele que seu sofrimento não valeu de nada.

O site www.votoconsciente.org.br pode nos ajudar.

*opróbio - (latim opprobrium, -ii ) s. m.
1. Desonra pública. = ignomínia, infâmia, vergonha, vexame ≠ desagravo, glória, reparação
2. Afronta muito grave. = agravo, infâmia, injúria ≠ desagravo, reparação
3. Abjecção extrema. = baixeza, degradação, indignidade, torpeza ≠ dignidade, integridade, virtude
Fonte: http://www.priberam.pt




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Nós a sociedade






Maioridade penal, segurança, proteção e as raízes do mal

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Autoconhecimento


 Foto: Luiz Boscardin

Tenho percebido como o autoconhecimento, além de ser matéria prima no trabalho de psicoterapia, passa também a ser valorizado nas organizações.

O líder de hoje nas organizações não é mais aquele que manda e é obedecido por quem tem juízo. Hoje as pessoas questionam mais, querem saber o porque daquilo que estão fazendo e o mais importante, se não estão felizes no lugar em que estão simplesmente vão embora e arrumam um novo emprego e nesse processo as organizações tem perdido muitos talentos..

No consultório nem se fala, o autoconhecimento é peça chave de todo o processo, pois no final das contas não estamos ali para ‘consertar’, o marido, a esposa, os filhos, o chefe, os pais, etc, estamos ali para refletir, questionar e resignificar como a pessoa que está ali à nossa frente relaciona-se com cada um destes outros atores, para aí sim pensarmos estratégias de como fazer diferente, na expectativa de assim gerar respostas diferentes da outra parte.

Pois bem, mas o que quero discutir aqui e o que venho pensando é como fazer isso? Como dar o primeiro passo em direção ao autoconhecimento?

A resposta que me surgiu pode parecer simples e banal, mas é algo por vezes difícil de se colocar em prática, como todo passo quando estamos lidando com a alma humana.

O primeiro passo é se perguntar: ‘como estou cumprindo as minhas tarefas? Como estou me relacionando com aquela pessoa, ou equipe? Como estou me relacionando com meu chefe, meu pai, esposo, esposa? Será que posso fazer diferente? Será que posso fazer melhor?’

Podemos responder a estas questões de forma rápida e simples: ‘Bem. Muito bem. Excelente. Claro sempre dá pra fazer melhor!’ Se por um acaso você respondeu a estas perguntas de forma rápida e rasteira, bom então a próxima pergunta é: ‘Porque você não está se deixando pensar nem um pouquinho sobre o tema? Do que você está se defendendo?’

Quando nos questionamos estamos admitindo para nós mesmos e para os outros que somos falhos e que não somos perfeitos como gostaríamos de ser, ou que não somos o profissional que a última edição de uma revista diz que eu devo ser para alcançar o sucesso, ou a mãe perfeita para meus filhos, ou qualquer outro modelo ideal de humano que tentam nos empurrar goela abaixo.

Isso no consultório talvez seja mais fácil, pois esse é um ambiente seguro, já no ambiente de trabalho é mais difícil já que mexe com a ideia de profissional que as pessoas, e nós mesmos, temos a nosso respeito e por incrível que possa parecer a maioria das empresas busca o cara, ou a mulher, da capa da revista do mês.

Temos que nos lembrar que acima de tudo somos pessoas que se relacionam com pessoas, que assim como nós mesmos são falhos, tem medos, inseguranças e qualidades, muitas qualidades. E que se não soubermos qual é a nossa parcela de responsabilidade nestes relacionamentos, não poderemos fazer diferente, ou melhor.

O primeiro passo, portanto a meu ver é questionar-se, desprendida e corajosamente, sobre o que fazemos e como fazemos. E se preciso pedir ajuda para pensarmos sobre isso.

Abraços e até a próxima.




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Desilusão











Era da perfeição

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Quanto vale?




Muitas pessoas me perguntaram sobre o lançamento do livro. Sobre se tudo havia corrido bem e se eu tinha vendido muitos deles, algumas vezes associando uma coisa à outra.

Particularmente vejo como duas questões separadas. Uma é se tudo correu bem, a resposta é sim, reuni muitos amigos e familiares, como há tempos não fazia e ajudei um grupo de pessoas muito especial, além de realizar algo que havia me proposto sete anos antes, a outra pergunta é sobre a venda dos livros, a resposta também é sim, foi boa, eu acho
.
Algumas vezes é difícil explicar para outras pessoas coisas que fazemos sem o intuito de ganhar dinheiro. É difícil para nós entendermos porque alguém se dedica à algo, investe tempo e o próprio dinheiro em algo que não espera ter um retorno financeiro.

Sei que estou generalizando e me incluo nesse grupo em alguns momentos, muitas pessoas fazem ações, ou tem hobbies em que não estão nem um pouco preocupadas se com isso irão ter algum lucro financeiro.

Um exemplo interessante é o de um restaurante onde vou almoçar com os colegas do trabalho. A dona é uma senhora que tem prazer em receber as pessoas em seu espaço com o maior carinho. Ela vem conversa, pergunta se a comida está boa, conta da sua vida e pergunta da nossa. Você se sente na sala de jantar dela. Porém a parte financeira é uma bagunça, ela mesma diz que tem mês que dá prejuízo e outros que consegue só pagar as contas. Ela não se preocupa com o dinheiro, para ela o fato de receber as pessoas é a sua recompensa. E como explicar isso para alguém que vê no restaurante um negócio, algo com que possa lucrar e comprar coisas que lhe trarão a felicidade.

Outro caso que conheci através de meu irmão é o de um rapaz sócio em uma academia de ginástica que ganha por volta de R$7.000,00 por mês e gasta o mesmo tanto todo mês, sem se preocupar em guardar nada. O que ele compra? Experiências. Faz viagens, sai com amigos e mulheres. Não tem carro ou casa própria. Será que ele está errado? Será que nós que poupamos, compramos e acumulamos estamos certos? Realmente não tenho uma resposta.

O interessante disso tudo é pensar que talvez estejamos caminhando para um entendimento do dinheiro como um meio para realizar desejos, sonhos, ou quem nós somos, e não mais um fim em si próprio, para ser acumulado e guardado. E se este é apenas um meio, porque não pensar em outras formas de troca, outros meios para se alcançar o que realmente buscamos, ou talvez eu esteja totalmente enganado e esta seja apenas a conversa de alguém que não tem dinheiro suficiente para realizar seus sonhos e queira mudar as regras do jogo, não sei. Se alguém aí tiver alguma resposta, por favor compartilhe.



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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Caminhos



Muito tempo sem escrever. Estive afastado do blog e do mundo que criei e investi nos últimos anos.

A vida dá voltas e muitas vezes temos que estar abertos às mudanças, antes de julgá-las ou tentar adivinhar o que virá. Tomei decisões no último ano que me levaram ao ponto em que me encontro hoje. Houve pontos positivos assim como efeitos colaterais.

Nada é de graça, para cada porta que se abre outras tantas deixam de ser abertas, mas, e essa é a forma como eu entendo as coisas, a cada porta atravessada e tantas outras que permaneceram fechadas, um novo conjunto de portas se apresenta à nossa frente e com elas novas possibilidades, novas oportunidades, mistérios e surpresas, tanto boas quanto más.

O único truque é não se esquecer de quem você é, ou para onde você está caminhando, qual o seu objetivo, o porque de caminhar. Os caminhos são vários, não existe uma única possibilidade, nem mesmo duas, existem um sem número de possibilidades, quem escolhe o caminho somos nós.

Continuo a minha caminhada tentando me lembrar de quem sou e o porque deste caminho, alimentando a ilusão de um certo controle que me dê a idéia, mesmo que falsa, de estabilidade. Continuo a minha caminhada que é solitária e só pode ser feita por mim mesmo e ninguém mais, apesar de sempre poder olhar para o lado e ver pessoas que estão caminhando junto a mim.



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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mudança



Tanto no consultório quanto nas empresas em que tenho trabalhado um tema que aparece constantemente é a mudança.

Pessoas querem mudar o modo como enxergam o mundo, querem mudar a forma como se relacionam com outras pessoas ou com seu trabalho, querem mudar para não ser mais quem são, querem se livrar da dor e da aflição por serem como são.

A princípio parece ser algo simples como se pudéssemos simplesmente ligar ou desligar algo em nós mesmos capaz de alterar nossos comportamentos, atitudes e a nossa visão de mundo, como se nossa mente fosse como um computador capaz de ser reiniciado ou com programas apagáveis e substituíveis a um simples toque de botão. Aliás, esse tipo discurso onde somos comparados a máquinas é reducionista e serve apenas como comparação, pois somos infinitamente mais complexos e inteligentes que uma máquina de calcular.

De qualquer forma, vivemos numa sociedade imediatista, onde tudo deve ser feito para ontem, onde não há tempo para a reflexão ou para o amadurecimento de novos conceitos e idéias.

A mudança é possível, inclusive fisicamente. Várias pesquisas tem demonstrado a plasticidade de nosso cérebro, de como ele é capaz de criar e manter novas conexões entre os neurônios alterando os “caminhos” utilizados pelo cérebro diante de determinada situação.

Só que para que isso ocorra é preciso tempo e paciência. Muitas vezes é preciso tempo para pensar nos fatores que impedem a mudança. É comum as pessoas saberem o que não as agrada em si mesmo, ou em que áreas precisam mudar um determinado comportamento, mas não conseguem agir de acordo com o que já sabem. Fatores emocionais, como o medo da mudança, sair da sua zona de conforto e a dificuldade de deixar para trás formas de pensar que se estruturaram durante décadas, são dificuldades que irão impedir ou dificultar estas mudanças.

Nosso trabalho como psicólogos é auxiliar as pessoas neste processo. Apontar as pedras no caminho, jogar luz nas opções que se abrem e quais são as conseqüências de cada uma delas. Trabalhar os medos e inseguranças que possam vir junto com esta mudança e servir de apoio, mas também auxiliar esta pessoa a caminhar com as próprias pernas.

O crescimento e o desenvolvimento é algo intrínseco do nosso ser, portanto algo natural e desejável, mas nem por isso é um processo fácil ou que ocorre espontaneamente. É preciso antes de tudo reconhecer esta necessidade, que é uma das poucas constantes da nossa existência: a mudança.





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terça-feira, 25 de maio de 2010

Desapego




Nestes dias estou tendo algumas aulas práticas de despego proporcionadas pela venda da casa onde vivi a maior parte da minha vida até o momento.

E eu sei que não foi fácil para meus pais tomarem a decisão de vendê-la e que continua não sendo despedir-se do lar onde viveram 26 anos, e também para mim e meu irmão apesar de não morarmos mais lá.

A doutrina budista fala sobre o desapego e sobre como todas as coisas são transitórias, inclusive a vida. Seguindo esse raciocínio não devemos nos apegar a coisas materiais, pois estas vão deixar de existir mais cedo ou mais tarde. Mesmo pessoas podem desaparecer de nossas vidas de uma hora para outra.

Mais difícil é por em prática o desapego, quando falamos de modos de ser ou de enxergar o mundo. Modos estes que vão sendo construídos aos longo da vida, e que por um motivo ou por outro nos vemos obrigados a pelo menos questioná-los, para que possamos lidar com novas situações que a vida nos impõe.
O que fazer então?

Ser mais flexível e tolerante consigo mesmo e com os outros. Viver o momento com a devida importância, já que ele é único. Amar as pessoas como se não houvesse amanhã, como diz Renato Russo, mas sem também se tornar dependente destas pessoas, responsabilizando-as pela nossa felicidade e bem estar. E no meu caso especificamente, saber que um lar não é feito de tijolos, azulejos, portas e grades, mas das pessoas que nele habitam, do amor depositado por estas pessoas e dos momentos vividos com parentes, amigos e amores.

Quero aproveitar e agradecer a todas as pessoas com quem convivi, festejei, amei, briguei e chorei, pelos bons momentos que vivemos nesta casa e principalmente a meus pais por terem escolhido este lugar onde pudemos viver tão bem e tão felizes e pelo exemplo de desapego e de coragem para recomeçar quando muitos estariam se preparando para se acomodar e aguardar. Obrigado.

E à família que agora irá ocupá-la, desejo toda a felicidade do mundo.

Enquanto isso já estou na minha quinta casa, e espero até o ano que vem construir uma para mim e minha família, e quem sabe bater meu recorde pessoal de dezessete anos num mesmo lugar. Quem sabe....



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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Persistência

Foto: Luiz Boscardin

O que é a persistência? O que nos leva a persistir por um caminho e não por outro? Até quando devemos persistir em algo?

Pesquisando sobre o assunto na net o que se vê são muitos textos de auto ajuda que dizem de como não devemos desistir de que a persistência é a chave para o sucesso. Além de alguns relatos de pessoas que persistiram em seus sonhos e somente por isso o alcançaram.

Um deles diferenciava entre persistência e teimosia, dizendo ser a teimosia quando a pessoa repete ações, ou atitudes, que levaram a um resultado desagradável, enquanto a pessoa persistente é aquela que percebendo que suas ações não estão gerando o resultado esperado, param, analisam e mudam o que for necessário para que as coisas dêem certo.

Outro dizia que é preciso persistir na persistência, que sempre haverão obstáculos e que aqueles que persistem frente as dificuldades, são aquelas que alcançam seus sonhos.

O que me achou a atenção na verdade foi a dificuldade de encontrar textos que falem sobre o momento da escolha entre persistir e desistir. Momentos em que estamos em dúvida se todo o esforço vale a pena. Quando as coisas ficam confusas e valores se confundem. O que importa mais perseguir um sonho, aparentemente tão distante, ou buscar algo que lhe dê estabilidade financeira? Sonhos ou dinheiro? O que importa é o processo que se faz durante essa caminhada, ou são os resultados alcançados a cada passo? E quanto ao medo de fazer um escolha errada, de passar o resto da vida correndo atrás do prejuízo, ou pior, arrependido das decisões tomadas?

O único texto que encontrei que me deu algumas respostas (reproduzido logo abaixo), pelo menos da forma como o compreendi, coloca a persistência como o momento em que nos olhamos no espelho, são momentos em que nos aproximamos mais de nós mesmos e que nos causam dúvida e angústia e que nos fazem querer recuar e ter medo, por mais incompreensível que isso possa parecer num primeiro momento. São nestes momentos que devemos persistir. Para alcançarmos nossos sonhos, e em última análise, quem somos na verdade.

Não posso dizer que sim devemos persistir e que as coisas sempre dão certo no final, pelo menos não por experiência própria, continuo a trilhar meu próprio caminho rumo aos meus sonhos. As dificuldades são inúmeras e o desejo de desistir por vezes toma conta e é só a idéia de viver uma vida distante daquilo que sinto ser a minha vocação, a minha função dentro desta enorme comunidade humana, que me faz continuar. E assim continuarei, porque ainda acredito que o que importa, não é somente o resultado imediato, mas o caminho que percorremos nessa jornada.

E aí não sou eu, mas Charles Chaplin quem diz “A persistência é o caminho do êxito.” Então vamos nessa.

Há um segredo para a persistência? Por que nos debatemos em certos momentos da vida e em outros tudo passa? Auto-engano? Quando estamos próximos de nossa própria compreensão é o pior momento, porque não admitiremos errar e não iremos querer voltar mais os nossos olhos para trás, muito menos, para dentro de nós mesmo. A vida poderia ser encarada como a soma de momentos e pessoas as quais nos tornem cada vez mais próximos de nossa própria compreensão. Devemos amar e respeitar tudo que desperta nossos processos internos de criatividade e de pensamento. A imaginação pode ser extrapolada para todas as circunstâncias de nossa vida. Há sabedoria latente nesse planeta desde o momento que acordamos até o momento da morte. A persistência poderia ser caracterizada pelo susto da alma, todas as vezes que é obrigada a olhar-se no espelho.
Augusto Vicente



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Desilusão

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Desilusão



Quando pensei em escrever sobre a desilusão, pensei primeiramente na desilusão como um encontro com a realidade. Um processo que apesar de doloroso pode ser muito benéfico.

Pesquisando na internet fica claro como a desilusão é compreendida em nossa cultura como algo extremamente doloroso, principalmente quando se fala em desilusões amorosas. E algo até que deve ser evitado, como diz o poeta Alexander Pope, “Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões”. Mas será que é possível não nos iludirmos?

Dentro da psicologia talvez quem mais tenha usado o termo e estudado o assunto foi o pediatra e psicanalista D. W. Winnicott(1896-1971). Winnicott dizia que todos nós quando nascemos, temos a ilusão da onipotência, ou seja, a ilusão de que somos capazes de fazer tudo. Para o bebê humano o outro não existe de imediato. Não existem mães, pais, avós, irmãos, tios e tias, bolas, mamadeiras, etc. Tudo é apenas uma extensão dele próprio e tudo o que acontece, acontece por que é a sua vontade. Então quando ele sente fome, logo vem o alimento para o saciar, se sua fralda está suja lhe causando incômodo, logo ela está limpa novamente, se ele está com frio, logo aparece algo que o esquenta e assim por diante.

Pois bem e quando isso não acontece? E quando uma destas necessidades, por um motivo qualquer, não é saciada prontamente? É aí que começa o processo de desilusão. A falta de uma determinada necessidade, por exemplo, o alimento, faz com que um sentimento comece a crescer dentro do bebê, sentimento esse determinado angústia. O bebê aos poucos vai entrando em contato com a realidade e aos poucos, percebendo o outro e as suas próprias limitações. Ou seja, é só a partir da desilusão que o bebê vai entrando em contato com a realidade e podendo se apropriar disso.

E pensando que somos seres em constante crescimento, como isso se aplica na nossa vida adulta? É claro que depois de alguns anos de estrada, ficamos mais “espertos” e não nos iludimos tanto, mas invariavelmente quando nos confrontamos com uma situação nova em nossas vidas é que parece que esse processo de ilusão/desilusão, volta à tona.

Seja num relacionamento novo. Seja em um novo emprego, ou mesmo uma promoção. Seja em um negócio novo. Com um grau maior ou menor estamos iludidos. E aqui quero dizer que isso não é necessariamente ruim, se não o fizéssemos, talvez não teríamos a coragem de enfrentar o novo.

O problema é quando ficamos presos a esta ilusão e não olhamos para a realidade à nossa volta, tentando evitar a angústia gerada pela desilusão. Isso faz com que fiquemos preso a algo que não é real e nos tira a possibilidade de melhorar algo que não está bom, ou mesmo de recomeçar. Porque é só a partir desse contato com a realidade é que podemos cada vez mais nos apropriar e atuar de forma mais eficaz no mundo à nossa volta.

O ideal é que façamos este exercício de nos iludir/ desiludir constantemente, de forma a podermos estarmos sempre nos adequando a realidade e sentindo menos angústia. Alguns de nós conseguem fazer isso com facilidade, seja pela criação que receberam, sejam fatores que os predispõem, outros tem mais dificuldades, ou ainda, tem facilidade em fazer isso quando se trata de vida profissional e são um desastre na vida amorosa e vice-versa.

Cada um de nós tem as próprias fraquezas e virtudes cabe também a cada um de nós reconhecer quais são estas e como fazer o melhor uso delas, com base na realidade. Exercício que pode ser muito doloroso, mas que faz parte de um processo de amadurecimento.

E pensando na frase de Pope, não acredito que haja alguém capaz de não se iludir, mesmo que por um breve momento, o suficiente para dar um passo além do que ele mesmo já tinha feito.




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